Torce por mim, que esse emprego sai..

Aí começa assim:

” O cara estava lá, sentado obviamente porque ele é uma dessas pessoas que nós nunca vemos no nível do olhar -quando se confunde com a parede do fundo-; fatigando – sentar realmente exausta –  perguntei intimamente a mim o que diabos ele fazia lá. Me preparei o dia todo para essa bendita entrevista; nada na minha vida aparentou alguma perspectiva como essa oportunidade, ensaiei demasiadamente no espelho, divulguei meu pente, meu gel, passei fio dental na alma, era meu big day. Para me deparar com o gordo do Alceu, imprestável e aporrinhante sujeito também candidato a vaga que parecia meu terno feito por alfaiate. Penso: 1- era tão bola de suor quanto ele ou 2 Meus prováveis-futuros-chefias eram retardados.

A saída do elevador até o banco em que Alceu estava – o que? SENTADO – era um estreito corredor, e curto caminho para eu dar meia volta volver, soldado! Meu pensamentos a essa altura já evidenciava minha indignação, Alceu não ligou e acenava para seu grande amigo. Eu estava elegante, deslumbrante. Ele com uma camisa de padeiro suado.

- Bom dia, Alceu. Que ótimo encontrá-lo. “

 

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Não quero me comunicar por palavras.. quero me comunicar por sons, onomatopeias-enamotopeias-geleias. Quero ganhar  na mega sena, quero ser raptada.

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eu digo

Como isso pode acontecer?

Um show, um espetáculo que eu assistia no camarote de um carro. Se eu pudesse montar uma instalação de arte, seria assim: o espectador senta no banco de traz, dentro há um motorista, na frente um homem que discute com uma mulher que está sentada ao meu lado. Esta chovendo e é  noite. Os personagens conversam coisas absurdas, mudando sempre o tom de voz, e a capacidade do assunto. Constantemente o homem se vira, ou a mulher se curva e coloca a cabeça entre os dois bancos. Você está ali, vendo aquilo tudo, sentindo parte, mas, não fazendo parte. 

Chega um momento que você se exausta e olha para o movimento da sua janela. Aí.. você entra em um filme dentro de um filme. No seu próprio filme a principal ação é abandonar o veículo, caminhar pela chuva, se aprofundar em uma rua que morre no fade out. 

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Voltei a escrever capítulo 1

Eu não lembro aonde eu anotei, mas sei que era assim: alguma coisa muito bem costurada. 
Inserida no tempo. Recortada.
 

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Nunca pensei que eu fosse trabalhar nos/em Jardins. Essa palavra soava como um perímetro inabitável, uma região intocável e solta no ar com sotaque de diamante.
Por isso digo que desacredito no inalcançável. Lá estou eu, descendo a Augusta, trabalhando na Alameda Lorena, atendendo artistas – gentchcomoagentch-.
Quero:Produzir mistérios. 
 
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Reproduzir mecanicamente o anoitecer sentido do sofá amarelo de 24 de janeiro de 2012.
A iluminação de um foto estava toda lá.. só pra nós.

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My ex apartment

You and me on the phone.

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